23 abril 2015

Holocausto..........................




“Holocausto Nunca Jamais"

Pernas fogem umas das outras
Atrapalham-se no meio do estampido
Há as que correm para a direita ou não
Para a esquerda vão algumas sem pressas
Braços entrelaçam-se como raízes
Abraçam-se quase abruptamente
São brutos de tanto baterem nas costas
Riem-se da dor infligida a si e a terceiros
Cabeças batem de encontro às de outrem
Calam-se sem saber bem o que dizer
Contêm os gritos que ficam presos à saída
Encolhem as gargantas no interior dos pescoços
Troncos de peito alto lembram árvores
Estão hirtos e secos ao mesmo tempo
O brilho deixou de luzir há muito tempo
Só a sombra continua a persegui-los no chão
As bocas tentam balbuciar algo imperceptível
Já ninguém ouve o som rouco e apagado
Nem sequer existem desejos nos olhares
Vê-se a aflição nas faces coradas pela surpresa
Espíritos basam de seus respectivos corpos
Vão sabe-se lá para onde nos confins
Deixam cá o lixo acumulado dos pecados
Largam tudo por um lugar fixo na alma
Ouve-se a aragem do fim de tarde
Adivinha-se um final afinal airoso
Rumores surgem de terceiras vozes
Cérebros vazios lembram relógios fora de hora…


Escrito em Luanda, Angola, a 17 de Abril de 2015, por Manuel de Sousa, em Homenagem a todos os que pereceram num dos mais vis e horrendos actos Humanos da história da Humanidade… Estejamos de que lado estejamos, mas, estejamos todos atentos para evitar que semelhante ou parecido, seja qual for a escala de grandeza, volte a repetir-se…